As grandes concentrações urbanas brasileiras impõem complexos desafios à gestão pública, aos estudiosos e às organizações da sociedade civil que buscam soluções para as cidades. Precisamos reforçar as grandes vantagens da convivência urbana – pluralidade, sinergia, cosmopolitismo, quantidade e qualidade de serviços e recursos – e desatar os nós políticos, jurídicos e administrativos que se multiplicaram ao longo das últimas décadas, enquanto aumentava o inchaço disfuncional das nossas principais regiões metropolitanas.

Para realizar um verdadeiro salto civilizatório, o Brasil precisa ser capaz de avançar consistentemente no terreno do desenvolvimento humano. E terá de dar conta de seus graves problemas urbanos e

metropolitanos para alcançar esse objetivo.Além disso, neste momento histórico em que se desloca de uma posição periférica, herdada do velho arranjo colonial, e ensaia uma nova identidade, o País se defronta, em um segundo sentido, com o desafio de ser metrópole. O sucesso do “Brasil metrópole” do século XXI não depende, felizmente, da conquista de colônias, mas da nossa aptidão para gerar ideias inovadoras, traçar e seguir os nossos próprios rumos civilizatórios, resgatar enormes dívidas sociais e realizar amplos avanços na efetivação de direitos coletivos e individuais.

O momento é oportuno. Somados, a consolidação da democracia, a estabilidade econômica, o desenvolvimento de regiões

mais pobres e as atuais tendências demográficas e migratórias podem dar margem a uma nova e promissora etapa na trajetória das metrópoles brasileiras. Mas, para que a oportunidade seja aproveitada, o efetivo comprometimento do poder público e o constante engajamento da sociedade civil são imprescindíveis.

Aos olhos do mundo e aos seus próprios, o Brasil se caracteriza por sua diversidade humana e natural. Recursos preciosos e valores vitais, que devem nortear dinâmicas e modelos urbanos mais justos, saudáveis e sustentáveis, como os propostos nesta edição.

Boa leitura.